“Em contraponto ao tripé do tráfico, da milícia e da UPP, que dividem os territórios do Estado do Rio de Janeiro, o Secretário poderia, agora, com o apoio do governo federal, defender a legalização da maconha como alternativa a esses sistemas de segurança pública.”

Por Dr. André Barros*

Nesta semana, o Secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro disse que a guerra sobre os territórios controlados pelo tráfico é uma guerra entre o bem e o mal. O próprio dono da pasta, bem antes, já tinha confessado a complexidade da situação e admitido ser impossível enfrentar o tráfico, e que seu real objetivo era combater o ostensivo tráfico armado.

A venda de drogas continua naturalmente nesse verdadeiro acúmulo extraordinário de lucros, onde cada vez mais armas são compradas pelo tráfico. Estão se armando até os dentes e apreensão de armas que é bom, nada. Depois dos grandes eventos, portanto, teremos uma sociedade muito mais armada e, obviamente, ainda mais violenta.

O secretário estadual agora pede ajuda ao governo federal. Enquanto o mundo começa a legalizar a maconha, continuamos nessa imbecil guerra aos pobres. Como a nova geração europeia, que pouco consome a heroína, a nossa gosta cada vez menos da cocaína. A maconha aumenta na preferência da galera tornando seu lucro incalculável.

A legalização da erva da paz geraria enorme prejuízo a esse mercado de compra de armas legalmente industrializadas. Das substâncias tornadas ilícitas, ela é a mais comercializada no Brasil, dez vezes mais que a cocaína, a segunda substância mais apreendida. Deve-se registrar a mínima quantidade de apreensões em comparação à circulação.

Apenas três sistemas de segurança são colocados de cima pra baixo à população: tráfico, milícia e UPP- Unidade de Polícia Pacificadora. Os pobres podem escolher apenas entre o microondas dos pneus à morte por bala pelas costas com seus corpos arrastados pelos quentes asfaltos dos verões cariocas.

O Uruguai, que legalizou a maconha como política de segurança pública para combater a violência e o crack, é um exemplo, para a esquerda careta e punitiva, duma real política de redução de danos. Das ruas às urnas, nosso vizinho formou sua maioria parlamentar e conseguiu legalizar a maconha, o aborto e o casamento homoafetivo.

Em contraponto ao tripé do tráfico, da milícia e da UPP, que dividem os territórios do Estado do Rio de Janeiro, o Secretário poderia, agora, com o apoio do governo federal, defender a legalização da maconha como alternativa a esses sistemas de segurança pública.

*André Barros, colunista de toda quarta feira às 16:20 no SmokeBud,  mestre em ciência penais, advogado da Marcha da Maconha, membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB/RJ e membro do Instituto dos Advogados Brasileiros.