Em entrevista à Agência Efe, Yarzábal, presidente do Comitê Cientista Assessor Independente criado pelo governo uruguaio para avaliar a regulação, alertou que por conta das características do tema, “não haverá resultados no curto prazo”. As informações são da Yahoo!

Montevidéu, 3 abr (EFE).- Os impactos sociais, na saúde, no consumo e na segurança oriundos da legalização da maconha no Uruguai só poderão ser vistos e analisadas no longo prazo para obter críticas “aceitáveis”, conforme explicou nesta quinta-feira Luis Yarzábal, presidente do Comitê Cientista Assessor Independiente criado pelo governo para avaliar a iniciativa.

“Certamente, será necessário acompanhar os impactos disso no tempo e, como muitos destes impactos serão índole cultural, não serão vistos imediatamente. A avaliação deve ser feita no médio e longo prazos, que calculamos ser de cerca de cinco anos, para ter um resultado aceitável”, disse Yarzábal.

Ele, que é médico, pesquisador e educador, explicou que o comitê é formado por sete especialistas em temas médicos, sociais, legais e bioquímicos. Além disso, o grupo convocou 50 cientistas uruguaios e 12 estrangeiros para analisar em sua totalidade a iniciativa e suas possíveis consequências.

“Por enquanto, trabalhamos em seminários-oficinas buscando identificar e construir quais indicadores podem servir para monitorar bem todo o processo (…) Nisso avançamos, na formulação definitiva dos indicadores que devemos utilizar no processo”, indicou.

Yarzábal não quis adiantar quais serão estes indicadores a medir, já que o trabalho científico ainda “não foi concluído”. Contudo, ele afirmou que todos eles estarão prontos antes do início da aplicação da legislação a fim de ter “uma linha base” para que possa ser iniciada a comparação entre uma situação e outra.

Os estudos sobre a legislação serão realizados “enquanto a norma estiver vigente” e irão gerar recomendações que o comitê entregará ao governo “para que tome as decisões que quiser”.

A pesquisa será completamente livre, e os aspectos desejados poderão ser analisados sem interferência de lugar algum. Essa foi uma exigência dos cientistas para a participação.

Particularmente, Yarzábal apontou que a situação mundial do comércio de drogas tinha a necessidade de “inovar” nas políticas de controle de dano, pois a proibição “foi um fracasso geral”, e que, portanto, a legalização proposta pelo Uruguai “foi prudente e interessante”.

O Uruguai legalizou a compra e venda e o cultivo de maconha no final do ano passado, estabelecendo um instituto de regulação da droga que permitirá concessão de certificados de plantio doméstico e a compra em locais nos quais a maconha será controlada e autorizada pelo Estado. O objetivo da norma é combater o tráfico e melhorar a saúde dos consumidores através da regularização do mercado.

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