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Uruguai não exportará maconha na primeira etapa da legalização

Na primeira fase da implementação da legalização, Uruguai não exportará maconha. Confira as informações são da Efe / Yahoo!

O Uruguai não permitirá a exportação de maconha na primeira etapa da aplicação da legalização, já que as autoridades querem ser “muito claras e estritas” durante os passos iniciais da inovadora legislação.

“A decisão nesta primeira etapa é que não vamos permitir a exportação de maconha, porque é simplesmente para o consumo interno do país”, declarou à Agência Efe em Viena o secretário da Presidência, Diego Cánepa.

“Pensamos que têm que ser uns quantos anos, mas não há uma definição estrita”, disse Cánepa sobre a estimativa de duração desta primeira etapa.

O responsável uruguaio participa em Viena da reunião das Nações Unidas que revisa os últimos cinco anos da estratégia mundial contra as drogas, e seu discurso ontem perante o plenário foi um das mais esperadas do encontro.

Cánepa também expressou o otimismo de que em seu país seja desenvolvido um setor biotecnológico que atraia investimentos estrangeiro para desenvolver aplicações medicinais da maconha.

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“O mercado da maconha tem dois aspectos, um de consumo medicinal e outro não medicinal. Sobre a maconha medicinal, vamos desenvolver toda uma indústria e há muito interesse das empresas farmacêuticas maiores do mundo”, destacou.

“Na exportação para fins medicinais só vamos habilitar a exportação do produto: a pastilha, o óleo…, não da flor”, precisou.

O motivo é atrair os investimentos internacionais que gerem valor agregado no país nesse campo da maconha medicinal, sobre a qual haverá uma regulamentação específica.

“Se quer produzir um remédio derivado da maconha, vai ter de produzir no Uruguai, entre outras coisas porque queremos que o trabalho e o valor agregado fiquem no país”, recalcou Cánepa.

“Conversamos e muitos estão dispostos a investir no Uruguai para pesquisa biotecnológica, há muita investigação sobre o uso de maconha em distintas doenças e há produtos que estão sendo desenvolvidos”, afirmou.

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Por outro lado, o chefe da delegação uruguaia se mostrou aberto à lei da regulação do cultivo e compra e venda de maconha se os resultados não forem bons.

“Estamos convencidos de que vai funcionar bem, há estudos que indicam que esta é a melhor política e que vai ter resultados muito positivos na melhora do acesso à saúde, do tratamento das dependências, da visibilidade do consumo”, explicou.

“Agora, se houver um resultado que diz que piorou a violência, que houve mais violência porque há maconha legal, ou houve um aumento enorme de problemas vinculados à saúde, será preciso replanejar a política”, admitiu.

Mas, em qualquer caso, Cánepa quis ressaltar que “o que está claro é que não vamos voltar ao proibicionismo. Se esta política não der resultado, terá que ser discutida outra”.

“O proibicionismo não solucionou o problema”, sentenciou, e defendeu a via da regulação para “gerar um mercado visível que permita um maior controle do Estado”.

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“O objetivo é ter melhores políticas públicas para as dependências e diminuir a dependência das drogas”, assim como “educar a sociedade para entender o que é o consumo abusivo de determinadas drogas, e não o acesso, o que é mau para a saúde”.

Cánepa afirmou que uma equipe científica multinacional vai seguir e avaliar a aplicação da legislação, e considerou que para ver qual é seu impacto, é preciso deixar um prazo razoável de tempo, de pelo menos cinco anos.

“O que não se pode é pensar que uma mudança de paradigma como o que estamos realizando se possa avaliar em curto prazo”, indicou.

O responsável uruguaio também destacou a “excelente relação” com a Argentina e Brasil e o “respeito” que mostraram à legislação, ao mesmo tempo em que reafirmou o compromisso absoluto de seu país na “luta frontal” contra o narcotráfico.

Esta legislação, destacou o secretário, é precisamente para lutar contra o narcotráfico, ao privá-lo de importantes fontes de renda. – EFE

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