As autoridades sanitárias francesas validaram na semana passada a comercialização do Sativex, um spray bucal à base de maconha. O produto, que deve chegar ao mercado em 2015, será prescrito apenas para pacientes que sofrem de esclerose múltipla e sua comercialização terá uma série de restrições. O Sativex já é autorizado em vários países europeus, mas na França sua indicação causa polêmica.

O Sativex, que deve ser comercializado na França pela empresa Almirall, é composto de CBD (canabidiol), uma molécula psicoativa derivada da cannabis sativa (nome científico da maconha), e de THC (tetrahidrocanabinol), substância fabricada pela planta e principal responsável pelos efeitos euforizantes da erva. Seu uso na França será restrito aos pacientes que sofrem de esclerose múltipla, mas estudos internacionais já estão sendo realizados para comprovar a eficácia do medicamento contra dores e náuseas associadas ao câncer e a quimioterapias.

No caso da esclerose múltipla, em que os pacientes sofrem de espasmos musculares violentos, a cannabis sativa comprovou um efeito analgésico. “Como a maconha tem um poder relaxante importante, as pessoas deixam de ter dores e retomam seus movimentos”, explica o médico psiquiatra e professor da Unifesp Dartiu Xavier da Silveira. Fundador do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes (Proad) e autor de estudos sobre o tema, ele também ressalta que o risco de dependência após o uso terapêutico da maconha é inexistente.

Uso terapêutico da maconha ainda enfrenta resistência, afirma especialista

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Vendido sob forma de spray bucal, o Sativex não entra na corrente sanguínea tão rapidamente quanto a fumaça da maconha, o que diminui o risco de tornar o usuário dependente. No entanto, esse argumento não impediu as críticas após o anúncio de sua comercialização. Pensando nisso, as autoridades já preveem um sistema de venda controlado e os estoques das farmácias serão guardados em cofres.

A planta da maconha havia sido excluída da farmacopeia francesa desde 1953 e seu uso, tanto terapêutico como recreativo, é proibido no país. No Brasil, a comercialização do Sativex está sendo analisada, mas ainda não foi autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Procurado pela reportagem, o organismo brasileiro não se manifestou sobre o assunto.

Via RFI