Intelectual peruano Mario Vargas Llosa publica importante artigo em que defende a experiência uruguaia de legalização da maconha, liderada pelo presidente José Pepe Mujica; “a medida afetará os traficantes e portanto a criminalidade derivada do consumo ilegal, e demonstrará com o tempo que a legalização não aumenta notoriamente o consumo”, diz ele

O escritor peruano Mario Vargas Llosa publica importante artigo neste fim de semana, em que defende a experiência uruguaia de descriminalização da maconha, liderada pelo presidente José Pepe Mujica (leia aquiO exemplo uruguaio na íntegra).

Trata-se de um reconhecimento importante, uma vez que Vargas Llosa, associado ao neoliberalismo, sai em defesa das políticas de um esquerdista convicto, como é Mujica. Segundo Vargas Llosa, a esquerda uruguaia deu mostras, desde o primeiro momento, “de um pragmatismo e espírito realista que permitiu a convivência na diversidade e aprofundou a democracia uruguaia em lugar de pervertê-la.”

Sobre a maconha, Vargas Llosa defende abertamente a legalização:

“Em relação às drogas, predomina ainda no mundo a ideia de que a repressão é a melhor maneira de enfrentar o problema, embora a experiência tenha demonstrado até o cansaço, que, apesar da enormidade de recursos e esforços investidos em reprimi-la, sua fabricação e consumo continuam aumentando em toda parte, engordando as máfias e a criminalidade associada ao narcotráfico. Nos nossos dias, esse é o principal fator da corrupção que ameaça as novas e antigas democracias e vai enchendo as cidades da América Latina de pistoleiros e cadáveres.

Será bem-sucedida a corajosa experiência uruguaia da legalização da produção e consumo da maconha? Seria muito mais, sem dúvida nenhuma, se a medida não fosse restrita a um único país (e não fosse tão estatista), mas compreendesse um acordo internacional do qual participassem tanto os países produtores como os consumidores. Mas, mesmo assim, a medida afetará os traficantes e portanto a criminalidade derivada do consumo ilegal, e demonstrará com o tempo que a legalização não aumenta notoriamente o consumo, apenas num primeiro momento, embora, desaparecido o tabu que costuma prestigiar a droga junto aos jovens, tenda a reduzi-lo”.

Via 247 / Estadão