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O Neurocientista norte-americano Carl Hart está no Brasil para participar de uma série de conferências, começando pelo Rio de Janeiro (09), passando por São Paulo (13) e em Brasília (15).  Seu objetivo é apresentar suas pesquisas inovadoras e polêmicas, discutir políticas públicas sobre drogas e lançar seu livro, “High Price” – Um Preço Muito Alto, pela editora Zahar.

Na quarta feira (07) a ONG VIVA RIO realizou um encontro com Hart para falar sobre drogas, saúde e redução de danos. Hart é um dos mais conceituados especialistas sobre o uso de substâncias ilícitas e visita, pela primeira vez, o Rio de Janeiro para uma conversa franca sobre a política de drogas no país. Confira as informações são de Flávia Ferreira, via Viva Rio.

“O Brasil não oferece alternativas para que as pessoas deixem de usar o crack”. A afirmação foi feita por Carl Hart, professor titular da Universidade de Columbia e um dos maiores especialistas sobre o uso de drogas nos Estados Unidos. Ele participou de um encontro com pesquisadores e equipes de Saúde do Viva Rio, nesta quarta-feira, na sede da instituição.

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Primeiro neurocientista negro da Universidade de Columbia, Hart estudou o comportamento de dependentes de crack e concluiu que entre 80% e 90% das pessoas que usam a droga não são viciadas. Durante o estudo, ele oferecia US$ 5 às “cobaias” para que não tomassem uma segunda dose diária de crack. Quando a dose de crack era relativamente alta, normalmente optavam pela segunda, mas quando era menor, a escolha mais provável era a do prêmio alternativo.

“Eles não se encaixavam na caricatura do viciado em drogas que não conseguem resistir à próxima dose. Quando eles receberam uma alternativa para parar, eles fizeram decisões econômicas racionais. Então, eu percebi que o crack não é o real problema, e sim a condição pessoal e social do usuário”, disse o neurocientista.

As falas de Hart estão embebidas em conhecimento empírico. Tendo crescido na periferia de Miami, ele viu amigos e familiares se tornarem dependentes do crack, recorrerem a crimes para sustentar o consumo e acabarem presos ou mortos ao se envolver com o tráfico. “Eu já usei drogas, mas tive a chance de optar por outro caminho, agora as pessoas me pagam para falar e viajar pelo mundo”.

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Coordenadora do projeto Casa Viva, especializado no acolhimento de jovens que fazem uso abusivo de drogas como o crack, Marilia Rocha apresentou algumas dificuldades para oferecer essas alternativas no Rio de Janeiro. “É complicado conviver com uma legislação que criminaliza a droga e coloca os usuários em situação de ilegalidade, pois não permite ao jovem usar substâncias menos danosas como a maconha”.

Para Marilia, é difícil ofertar outro caminho quando a sociedade não pensa em uma mudança de proposição para a juventude. “As cenas de uso estão criando nos guetos dentro de guetos. São crianças que nem a comunidade quer. Os vínculos que antes eram negados aos usuários de maconha e cocaína, hoje são negados aos usuários de crack”.

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