[pull_quote_center]”No capitalismo cognitivo, as lutas estão em cada palmo das cidades. O palco da política é nas praças, ruas e avenidas, só a luta muda a vida, só a luta legaliza, voltar às ruas é voltar à vida real.”[/pull_quote_center]

Depois da histórica jornada de junho de 2013, neste ano o país foi às urnas. Um Congresso Nacional extremamente conservador, proibicionista e punitivo foi eleito. Mas os eleitos não refletem as ruas. A mídia oficial de mercado tão criticada nas manifestações continua querendo pautar as lutas. Busca uma instabilidade institucional como se os manifestantes estivessem indignados, podendo ser facilmente capturados para um retrocesso golpista.

No Rio de Janeiro, o governador eleito liga sua eleição à vitória da política de segurança e diz que seu projeto mãe é a UPP – Unidade de Polícia Pacificadora. Mesmo depois da ajuda decisiva de grande parte daqueles que estavam nas ruas, o partido da presidenta insiste em acusar os manifestantes pela sua vitória apertadíssima. Os dois lados, se continuarem não enxergando o que não querem ver, podem morrer abraçados.

As abstenções, nulos e brancos foram os mais votados no Rio de Janeiro. O eleito ficou em segundo. A luta contra a repressão aos pobres ganhou maior responsabilidade, esse foi o recado das urnas. A política não pode ser mais um mercado. Os cartéis, que financiam as campanhas como estratégia de disputa dos mercados das licitações públicas, não são mais aceitos como representação. A política não está institucionalmente instabilizada pelo binarismos petista e tucano. A pauta é a água, o saneamento básico, a educação, a saúde, a libertação dessa vida escravocrata de duas horas espremido dentro de um caixote caro, mais oito longas horas de trabalhos mal remunerados e mais duas horas dentro do mesmo ônibus lotado na volta para a péssima moradia.

No capitalismo cognitivo, as lutas estão em cada palmo das cidades. O palco da política é nas praças, ruas e avenidas, só a luta muda a vida, só a luta legaliza, voltar às ruas é voltar à vida real.